A Inteligência Artificial Vai Curar Doenças? O Que Já Conseguimos Fazer e o Que Ainda Falta Descobrir

Os avanços recentes da Inteligência Artificial têm alimentado expectativas de uma nova era para a medicina e a biologia. Sistemas de IA já são capazes de prever estruturas de proteínas, analisar genomas, identificar padrões em grandes volumes de dados biomédicos e auxiliar na descoberta de novos fármacos. Mas será que a IA realmente será capaz de curar doenças? E quais são os obstáculos científicos que ainda precisam ser superados?

Nesta palestra, discutiremos como técnicas de aprendizado de máquina e inteligência artificial estão sendo aplicadas para compreender os mecanismos moleculares da vida, acelerar descobertas científicas e apoiar o desenvolvimento de terapias inovadoras. A partir de exemplos reais da Bioinformática e da Biologia Computacional, exploraremos os avanços mais impressionantes da área, seus desafios atuais e as oportunidades para estudantes e pesquisadores de Computação que desejam atuar em uma das fronteiras mais promissoras da ciência contemporânea.

Comportamento Humano na Era dos Dados: Da Disseminação de Informação em Mídias Sociais à Exposição de Usuários em Dados de Mobilidade

O comportamento humano é inerentemente heterogêneo, multifacetado e dinâmico, envolvendo aspectos que frequentemente são subjetivos e difíceis de serem capturados a partir de rastros digitais. Nesta palestra, apresentarei uma breve visão geral de nossas pesquisas sobre modelagem do comportamento de usuários em dois domínios: a disseminação de informação em redes sociais e a mobilidade individual.

No contexto das redes sociais, apresentarei resultados recentes que mostram como comportamentos individuais e coletivos influenciam a propagação de informações. No contexto da mobilidade, discutirei os riscos de privacidade associados ao uso crescente de dados de mobilidade para viabilizar serviços digitais, destacando a necessidade de novos métodos para quantificar a exposição dos usuários.

Criptografia pós-quântica, ou como um computador quântico operacional destruiria cinco décadas de pesquisa em criptografia

Por cinquenta anos, a criptografia de chave pública baseou-se na suposta dificuldade de problemas como a fatoração de grandes números (RSA) e o cálculo de logaritmos discretos (DHKE, ElGamal). Essas premissas sustentam assinaturas digitais, SSL/TLS, blockchains e provas de conhecimento zero. No entanto, o algoritmo de Shor, executado em um computador quântico tolerante a falhas suficientemente grande, destruiria todas elas em dias ou horas.

Dois artigos publicados no final de março de 2026 mudaram fundamentalmente o cálculo de risco. O Google revelou um circuito quântico drasticamente mais eficiente para logaritmos discretos em curvas elípticas, reduzindo os qubits lógicos necessários para cerca de 1200. No dia seguinte, Oratomic, Caltech e Berkeley demonstraram um caminho escalável para construir esses qubits lógicos. Nenhum artigo é catastrófico isoladamente; mas juntos, representam a convergência entre avanço algorítmico e viabilidade de hardware.

Exploramos o problema da tradução de “qubits lógicos para físicos”, a correção de erros quânticos, e por que o progresso agora ocorre em saltos, não em curvas suaves da Lei de Moore. Em seguida, mapeamos o cenário da criptografia pós-quântica, discutindo os novos algoritmos sendo aprovados pelo NIST. Por fim, analisamos os riscos de apressar essa transição — como mover chaves para fora de hardwares seguros antes que a infraestrutura esteja pronta — e avaliamos cronogramas reais, incluindo o motivo pelo qual o prazo de atualização de 2029 é agressivo e necessário. Devemos atualizar agora, não porque a chegada dos computadores quânticos seja garantida até 2030, mas porque não podemos se dar ao luxo de errar.

Quando a Acurácia Engana — Uma Visão Centrada nos Dados para Modelos de IA Confiáveis, Interpretáveis e Eficientes

Modelos modernos de IA alcançam níveis impressionantes de acurácia, mas desempenho elevado nem sempre se traduz em decisões confiáveis. Nesta palestra, defendemos a tese de que propriedades como confiabilidade, adaptabilidade, interpretabilidade e eficiência não são explicadas apenas pelo modelo, mas emergem da forma como os dados são construídos, selecionados, reutilizados e interpretados ao longo de todo o pipeline de aprendizagem.

A partir dessa perspectiva centrada nos dados, discutimos quatro desafios fundamentais para sistemas de IA: confiança nas probabilidades produzidas pelos modelos, adaptação a mudanças nos dados, tomada de decisão em cenários complexos e interpretação dos mecanismos internos que sustentam as previsões. Apresentamos resultados recentes envolvendo calibração, aprendizado contínuo, seleção de instâncias e interpretabilidade em aplicações de Processamento de Linguagem Natural e Saúde.

A mensagem central é simples: a pergunta mais importante não é se um modelo é preciso, mas se suas decisões podem ser confiadas. Construir sistemas de IA verdadeiramente úteis exige olhar além da acurácia e adotar uma visão integrada, centrada nos dados e orientada à responsabilidade.

Nanocomputação: Pensando nos sistemas computacionais do futuro?

Muitos cientistas afirmam que a Lei de Moore está próxima do fim. Uma das principais razões é o limite físico da miniaturização dos transistores de silício. Não há uma tecnologia sucessora proeminente para a lógica CMOS atual, mas algumas alternativas possíveis têm sido investigadas. Nesta apresentação, discutiremos a evolução histórica das máquinas computacionais até o fim da era de ouro, quando os projetistas podiam desenvolver software, arquitetura, implementação e dispositivos de forma independente. Assim, surge uma pergunta: o que teremos no futuro? Precisamos continuar controlando a corrente elétrica para realizar a computação? Existem outras alternativas? Uma ampla variedade de novas nanotecnologias gerará muitas possibilidades para o desenvolvimento de novas aplicações computacionais com baixo consumo de energia, alta velocidade e alta resiliência. Vamos explorar algumas dessas possíveis alternativas.

Redes Sensíveis ao Tempo

As redes sensíveis ao tempo (TSN — Time-Sensitive Networking) são empregadas em situações que precisamos de um baixo atraso e alta confiabilidade, como em controle industrial, teleoperação e aplicações de realidade virtual e aumentada. Esta palestra vai apresentar as aplicações de TSN, os desafios que estas aplicações trazem para as redes de computadores, e vamos falar rapidamente dos padrões implementados para redes TSN.

Compiladores: Uma História de Inovação

Compiladores são ferramentas que traduzem código escrito em linguagens de alto nível para código de máquina. Por cumprirem essa função fundamental, são indispensáveis para o desenvolvimento da ciência da computação. Nesse contexto, os compiladores vêm sendo alvo de constante inovação — desde 1954, quando o primeiro compilador de Fortran começou a ganhar forma, até os dias de hoje, com os compiladores tensoriais ocupando um papel de destaque na computação. Nesta palestra, vamos discutir algumas dessas inovações, como elas surgem e qual é seu papel no avanço da tecnologia digital.

Abordagens de IA Sustentável para Processamento Natural de Linguagem Inteligente

Grandes Modelos de Linguagem (GMLs), baseados em técnicas de Inteligência Artificial, têm transformado o Processamento de Linguagem Natural (PLN), sendo referência em tarefas como classificação de texto, análise de sentimentos, sumarização e perguntas-e-respostas. No entanto, sua construção e adaptação exigem alto custo computacional, demandando infraestrutura especializada e grande consumo energético, o que acarreta impactos ambientais negativos, como a emissão de CO2. O modelo atual adotado pelos grandes players– baseado na “Lei do Mais” (mais dados, mais hardware, mais energia) – é insustentável e pouco viável para países com recursos limitados, como o Brasil, dificultando a competitividade internacional. Nessa palestra discutiremos alguns esforços sendo desenvolvidos pelo nosso grupo, incluído alguns baseados em Engenharia de Dados e IA generativa, para tratamento dessas questões, com o objetivo de aumentar a efetividade e a eficiência de modelos, ao mesmo tempo que reduz-se os custos computacionais e o consumo energético, contribuindo para um desenvolvimento mais sustentável e acessível.